Minhas conquistas

   Compartilhar minhas vitórias é acima de tudo mostrar a vocês que qualquer pessoa pode conquistar melhorias em suas vidas.

Minhas Conquistas

Uma breve história da minha vida.

Na foto, Helder ou como eu gosto de chamar, eu. Fotografia: K.V Harper

 

  Minha vida não é das mais fáceis. Nasci em Salvador, Bahia em uma região muito pobre da minha cidade, conhecida pelo tráfico de drogas e violência. Nada muito diferente da realidade de milhões de outros brasileiros. Vivi nessa região toda a minha vida. Conheci de perto a criminalidade e perdi muitos amigos vítimas da falta de oportunidade. Compartilhar minha história com vocês é acima de tudo mostrar a um monte de gente que pode tá no mesmo lugar que eu estive a alguns anos atrás que é possível conquistar coisas melhores mesmo tendo muito pouco para começar.

   Minha vida não é das piores também, nem de longe. Meus pais sempre estiveram presentes na minha vida e sem sombra de dúvidas isso me proporcionou acumular o conhecimento que me fez chegar até aqui, o que não é muito, mas é uma conquista da qual me orgulho profundamente.

   Por consequência da minha tendência aos estudos, logo após terminar o colégio e passar um período trabalhando em uma loja de materiais de construção e de itens domésticos aqui em Salvador, consegui ser aprovado em uma universidade pública, a Universidade do Estado da Bahia no curso de Direito o que foi uma verdadeira conquista para toda a minha família. Mas a verdade é que eu não havia me encontrado na graduação universitária que ao contrário do que me ensinaram ao longo de toda a minha vida, não me proporcionava a pluralidade de conhecimento e possibilidades de aprimoramento do indivíduo que eu tanto esperava. Foi uma grande decepção.

   Na verdade a universidade era tão técnica quanto a escola e nada daquilo realmente me interessava. Eu queria conhecer pessoas, entender o mundo, não terminar preso em um escritório qualquer em busca do dinheiro que todo mundo sempre diz que deve determinar suas escolhas.

   Os pensamentos que meus professores e colegas tinham sobre a vida me deprimiam, dinheiro não é tudo, não pode ser. Eu vi a vida sem dinheiro sei como é a realidade dos marginalizados, eu vi também de perto a vida dos privilegiados.

   Grana é realmente muito importante para nossa qualidade de vida, mas sei também que trabalhar em algo que não te faz feliz não é sinônimo de conquistar riquezas, nem de longe, tão pouco fazer o que lhe faz feliz é sinônimo de falta de grana.

É possível sim equilibrar o bem estar profissional e as conquistas econômicas. Não é fácil, nem de longe, mas é possível.

   Foi pensando assim que resolvi abandonar o curso de direito. Mas ainda não estava totalmente convicto de que o problema para mim era a Universidade, eu acreditava realmente que a incapacidade de receber a pluralidade referente as perspectivas de aprendizagem era uma coisa específica do curso de direito e não do sistema educacional. Sempre tive uma enorme dificuldade em desistir das coisas. Então resolvi tentar outro curso, desta vez Ed. Física na Universidade Federal da Bahia, onde também fui aprovado.

   Minha ideia para a seleção do meu próximo curso era adicionar pontos positivos de determinado curso que estivessem conectadas as minhas próprias vontades e objetivos. Fiz uma lista com base no que eu queria em um curso e como isso me ajudaria a alcançar o que eu queria fazer da vida depois dele.

A lista era mais ou menos assim:

  • Quero conhecer pessoas e explorar novos horizontes.
  • Quero constantemente está ajudando pessoas ao meu redor através do meu trabalho.
  • Quero nunca abrir mão do meu tempo com amigos.
  • Quero transformar algo que eu sinto prazer de fazer em profissão.

   Como eu sou realmente apaixonado por esportes radicais e de contato, Ed. Física foi sem dúvidas a minha melhor opção dentre as possibilidades. A questão é que após ingressar no curso, passei pelas mesmas limitações acadêmicas que já havia experimentado no Direito e que eram fundamentais para minha permanência na Universidade. Hoje eu sei que é impossível para mim me manter em algo que eu não acredito. Para o bem ou para o mal eu sou esse tipo de pessoa.  Dali em diante compreendi que o problema não era o curso mas sim, o próprio sistema e pensar fora da caixa era fundamental para que eu alcançasse a minha própria felicidade!

 

Pensar fora da Caixa foi Fundamental para ampliar minhas possibilidades.

Eu não teria orgulho de minhas conquistas se elas não fossem por coisas que eu realmente me importo.

 

   Não foi fácil entender que o que eu buscava estava fora da Universidade. Cursos de Fotografia ainda são raros no país e eu realmente não teria condições de investir em uma universidade privada fora da minha cidade ou mesmo dentro dela. Para além disto, eu já havia aprendido que os métodos de ensino tecnicistas e padronizados das universidades tão pouco dialogavam com o que eu buscava enquanto pessoa e isto realmente desvalorizava a importância da academia na minha vida pessoal.  Então resolvi que iria em outra direção. Eu iria escolher algo que eu realmente gostava de fazer e simplesmente fazer. 

   Sempre tive interesse sobre a fotografia na minha vida, antes mesmo de pensar em fotografar profissionalmente eu já tinha uma câmera e sempre que realizava uma viagem através da universidade ainda no curso de direito ou mesmo quando passeava aqui por Salvador, eu termina utilizando minha Canon SX20, uma Superzoom, para realizar algumas fotografias mas sempre sem qualquer intenções profissionais.

   E foi dentro do curso de Ed. Física, período em que estava realmente aprofundado no estudo das artes como um todo (diga-se de passagem, tema totalmente diferente do que eu deveria me focar se levasse em consideração a grade curricular do curso) que comecei a sentir profundo interesse pela fotografia como forma de expressão artística. Comprei uma Canon T5, minha primeira câmera DSLR e dali em diante comecei a me aprofundar no estudo técnico da fotografia e me afastar cada vez mais da minha segunda tentativa de graduação universitária.

   Comecei a pesquisar sobre fotógrafos do meu estado que realizavam trabalhos que me inspirassem e conheci pessoas fantásticas. Gente realmente maravilhosa como o Kelvin Yule, a maravilhosa amiga Helen Mozão e o Edgar Azevedo pessoas que convivi aqui, nas ruas de Salvador, diariamente por um período que me proporcionou uma vasta gama de conhecimento que só foi possível pela disponibilidade deles em me ajudar a aprender.

   A verdade é que antes destas pessoas eu entrei em contato com CENTENAS de fotógrafos em um período em que a fotografia realmente me parecia um bicho de sete cabeças. Eu queria acompanhar, estar junto, auxiliar no que pudesse, fazer parte do meio. Sempre me oferecia para ajudar gratuitamente e mesmo assim centenas de pessoas cotidianamente me diziam não. Mas quando a gente quer muito uma coisa desistir não é uma opção, certo?

   Com estas pessoas eu tive experiências maravilhosas, aprimorei profundamente meu conhecimento sobre a fotografia e também no que diz respeito a forma que eu enxergava minha relação com a arte.

   Mas chega um período que você precisa caminhar com suas próprias pernas, certo? E foi em busca do meu caminho que consegui aos poucos consolidar o meu primeiro ano na área da fotografia. Realizei casamentos, ensaios e editoriais, fotografias documentais, fotojornalismo, criei muitos projetos, conclui alguns, estou criando novos e espero que o ano de 2017 gere novos frutos.

Até então, consegui:

🏆 20 Melhores no Concurso Nacional Camaleon No Asfalto, com exposição da fotografia selecionada em sua escola em SP
🏆 Exposição de 5 imagens da série fotográfica Dia de São Jorge na Biblioteca Central de Salvador com outros renomados fotógrafos da cidade.
🏆 Editorial publicado na revista novaiorquina Afropunk com exposição e entrevista sobre o Bonanza, projeto de minha autoria.
🏆 🏆 Um dos 3 selecionados no Brasil pelo concurso  PhotoBRICS 2016.  Com exposição da conquista em jornal da minha cidade o que dá um duplo troféu =)

E algumas fotografias do meu portfólio:

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Acesse meu Portfólio  e meu Instagram para conhecer um pouco mais do meu trabalho.

 

Ainda há muito a conquistar, mas como eu disse, 2016 foi apenas o meu primeiro ano enquanto fotógrafo profissional. Imagino que muito provavelmente você tenha encontrado uma série de dificuldades no seu primeiro ano na fotografia ou nos outros que se seguiram e espero profundamente que este blog lhe ajude a supera-las.

Eu quero muito terminar lendo o comentário de alguém que teve sua vida melhorada através das publicações e vou colocar aqui como conquista também. Porque compartilhar o conteúdo que eu vim acumulando ao longo da minha experiência na fotografia gratuitamente é a função fundamental deste blog.